Gostaria de compartilhar uma das minhas experiências mais importantes que pude fazer na Europa e que quase nunca está no circuito turístico dos latino-americanos. Eu tive a oportunidade de visitar a Polônia e não deixei escapar a chance de conhecer Auschwitz. Vocês já devem ter ouvido falar ou lido algo sobre esse lugar seja nas aulas de história no colégio ou em filmes sobre a segunda guerra mundial, nazismo ou holocausto. É o nome de um grupo de campos de concentração localizados no sul da Polônia, símbolos do holocausto perpetrado pelo nazismo alemão e está localizado há sessenta quilômetros da cidade de Cracóvia.
A sensação é de que estive em um dos lugares mais terríveis da “História” por causa do seu lado obscuro, atroz, desumano e vergonhoso. Desde o momento em que iniciei a viagem para lá a partir de Cracóvia não deixei de pensar e imaginar minimamente o que aqueles que percorreram aquela estrada, pela última vez de suas vidas, sentiam ou tinham em mente. Foi um momento de reflexão sobre o ser humano e sua capacidade exterminativa e cruel em relação a sua própria raça. Esse pensamento faz com que você comece a compreender melhor porque “aquela pessoa”, próxima ou distante a você, consegue ter certas atitudes repudiáveis como a mentira, manipulação, traição, falsidade, intromissão, desamor, ódio, raiva, roubo ou em casos mais extremo o sangre frio inclusive para matar outra pessoa, roubar ou enganar.
É tão contraditório conhecer a história e apreciar a beleza natural do lugar. O caminho é muito bonito com uma vegetação surpreendente, pequenos povoados. Por certo, o lugar faz parte do cenário ideal para ludibriar aqueles que foram na ilusão de que encontrariam ali um lugar para viver e trabalhar d forma digna. Que engano! A Beleza do lugar, entretanto não desfaz o peso histórico daquele lugar e por este motivo torna-se também sinistro ou algo incompreensível.
Ao chegar na cidade, o visitante tem a oportunidade de estar em dois dos campos de concentrações (Auschwitz I e Auschwitz II (Birkenau). Auschwitz I - Campo de concentração original que servia de centro administrativo para todo o complexo, no qual morreram perto de 70.000 intelectuais polacos e prisioneiros de guerra soviéticos. Auschwitz II (Birkenau) era um campo de extermínio onde morreram aproximadamente um milhão de judeus e perto de 19.000 ciganos e pessoas de outras nacionalidade e religiões.
Não é um passeio fácil não. Tem que ter pulso firme para conseguir conhecer este lugar. Da mesma forma animo a todos que se tiverem essa oportunidade que aproveitem porque é algo que um ser humano deve se defrontar pelo menos uma vez na vida. Juro que em muitos momentos me senti muito mal. Impossível sorrir ou não deixar lágrimas escorrerem ao entrar nos barracões onde as pessoas eram “armazenadas” como animais, ver os fornos, crematórios, muro de execução, câmaras de gás, fotos no museu e enfim, é uma visitação muito difícil.
Sai daquele lugar como se tivesse tomado uma surra, com um cansaço psicológico sem dimensão... É difícil ter mais palavras para descrever tudo o que senti ali.

5 comentários:
A ACADEMIA MACHADENSE DE LETRAS (Machado-MG) comunica que estão abertas as inscrições para o VIII Concurso Plínio Motta de Poesias, do ano 2011.
Entrem em contato para adquirir o Regulamento:
a/c Carlos Roberto machadocultural@gmail.com
Os filhos de Abraão
Os gritos ainda ecoam
Em cada canto, em cada trincheira,
Em todos os túmulos.
Restos mortais exibidos
Como souvenires
Enchem de orgulho
O primitivo estágio ariano.
O sangue do cordeiro
Continua a jorrar
No solo árido.
Até que ponto a Bestialidade
Deixará de existir em um mundo
Que se deseja mais humano!
Crente ou ateu
Incrédulo ou cético,
Auschwitz continua vivo em nossa memória:
Um pesadelo que brotou
E nunca mais se apagou.
Inocentes ali pereceram,
Sobreviventes dali morreram,
Levaram todos para o túmulo
O sacrifício dos filhos de Abraão.
*Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan
ASAS
(Pacto dos Anjos)
Você era um anjo
Que decidiu voltar às estrelas
Implorei para que não fosse
Nas estrofes de um singelo poema.
“Meu Sonho”, eu lhe dediquei,
Mas, ao ouvi-lo, partiu,
Em silêncio permaneci e chorei...
Mas, como por encanto retornou...
Levou-me para bem longe
Próximo à beira do mar.
Retirou suas asas
Oferecendo-as às ondas insanas.
Bem longe dali, uma criança triste estava,
Sem esperança de andar e de viver.
As ondas, agora serenas,
Entregaram-lhe um presente...
Ao tocá-las, seus pés se moveram,
Seu coração voltou a bater mais feliz,
Sua alma e seu espírito outrora em conflitos
Em paz agora estavam em vigília...
*poema de Agamenon Troyan, autor do livro
(O Anjo e a Tempestade)
Gostei muito do conteúdo do seu blog! =D
Conheça nosso trabalho, temos uma coluna sobre política.
Abç
fiquei pensativo após ler este texto, é forte!
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