quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mensalão, sete anos depois!

Eu andei bem sumida, não é mesmo? Meses e meses sem entrar aqui no blog. Prometo que após a defesa da minha tese (está bem próximo de acontecer!) eu passarei a usar este espaço da melhor maneira possível.

O que me venho fazer aqui hoje após esse tempo todo? Primeiro fugir da minha tese (rs). Estava precisando falar de algo diferente do tema da minha tese. Em segundo lugar, relembrar alguns desdobramentos que a divulgação do mensalão ocasionou, a partir de 2005, e finalmente dar minha opinião sobre alguns aspectos relacionados ao julgamento do Mensalão após sete anos de sua divulgação. Ficaria horas e horas escrevendo e teorizando sobre o escândalo do mensalão mas esse não é meu objetivo e nem poderei fazer isso agora (Prometo fazer uma análise mais sistemática na condição de doutora em ciência política). Farei apenas algumas considerações para que vocês possam refletir!


Aqueles que já me conhecem a mais tempo sabem que fui uma espectadora privilegiada no que diz respeito bastidores dos desdobramentos da divulgação do Escândalo do Mensalão em 2005. Por incrível que pareça, naquela segunda-feira, 06 de junho de 2005, mesmo dia que o jornal Folha de São Paulo trazia a matéria bombástica com entrevista de Roberto Jefferson divulgando o Mensalão, eu seguia rumo ao dependências da Câmara dos deputados para realizar entrevistas com parlamentares para uma pesquisa acadêmica que estava sendo realizada pelo Centro de Estudos Legislativos da UFMG e do qual sou pesquisadora. O tema não era o escândalo e sim a opinião dos parlamentares sobre temas diversos sobre democracia, valores e trajetória política. Por certo, a pesquisa levaria bem menos tempo para ser realizada se não fosse a nova conjuntura política nacional. Não posso reclamar das circunstâncias e muito menos da conjuntura porque além de conhecer melhor o funcionamento legislativo do Congresso Nacional e do comportamento parlamentar brasileiro, aprendi muito com o desdobramento provocado pelo caso.


Não poderia imaginar que em mais de seis meses, tempo que estive em Brasília, conhecer e acompanhar de perto os bastidores da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou denúncias de compra de votos, acompanhar vários depoimentos, defesas e acusações fervorosos que deixavam evidentes os conflitos de interesses políticos diversos, tanto individual quanto partidário, observar as estratégias políticas de parlamentares oposicionistas ao governo em transformar a caso em campanha eleitoral antecipada visando a eleição presidencial que ocorreria no ano seguinte, as estratégias que o governo e os parlamentares da base governista em brindar a figura do presidente Lula, de ministros, de figuras estratégicas dentro do PT e de outros partidos envolvidos. 
 
Além disso, nesse mesmo período, de dentro do plenário, pude acompanhar três acontecimentos impactantes na história do legislativo brasileiro. A cassação de Roberto Jefferson e de José Dirceu em setembro e dezembro, respectivamente por envolvimento direto no escândalo do Mensalão e por quebra de decoro parlamentar, e a renúncia do ex-deputado Severino Cavalcanti em setembro por ter sido acusado de receber "mensalinho" para prorrogar a concessão de um restaurante da Câmara. Estou citando apenas alguns exemplos que reforçam a importância que o episódio teve na minha formação (eu era apenas uma estudante de mestrado em Cientista política) e evidenciar a importância sobre o escândalo.

Minha opinião em relação ao caso não mudou, considero um dano muito sério contra democracia brasileira, os princípios morais e éticos da representação política e a sociedade. Há danos mas a divulgação do caso tem um aspecto positivos para a transparência na política, tornou-se público um comportamento que não é novo nos bastidores do poder político. Espera-se, portanto que esse evento tenha contribuído com a formação de "públicos atentos", maior controle societal dos políticos e maior qualificação das decisões ao escolher seus representantes. 
 
E o Julgamento? Sete anos após a divulgação do escândalo do mensalão, iniciou hoje o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) dos 38 envolvidos no caso. Serão vários dias de leituras e mais leituras de pareceres de acusação, de defesas apelativas e cheias de dramas, muitas “trocas de farpas” discussões calorosas, opiniões sensatas e até insensatas, coerências e incoerências e finalmente em aproximadamente um mês conheceremos o voto dos ministros do STF e a leitura da pena que cada réu receberá por ter participado com maior ou menor grau do esquema de compra de voto.

Será um julgamento político e não somente técnico (seria impossível). Independente disso, espero que os ministros possam tomar as decisões de forma consciente, racional e sem partidarismos exacerbados e mais do que isso que possam dar uma satisfação à sociedade e responsabilizar os reais culpados pelos crimes cometidos contra democracia e a moralidade da política brasileira.

Outro ponto que merece destaque  (e atenção) é sobre o peso que a mídia terá sobre o processo de julgamento do caso. Apesar de termos, segundo a Constituição brasileira o Judiciário, o Legislativo e o Executivo como os três poderes formalmente constituídos não podemos perder de vista que a Mídia ocupa a posição de um quarto poder e tem dado ampla atenção sobre (e pressionado) o julgamento, como fez na sua divulgação e apuração do caso no âmbito do legislativo. A mídia como sempre quer ditar as regras do jogo e mais do que isso quer que dizer qual deve ser o resultado do jogo. E sabe qual é o resultado pretendido pela mídia? Aquele que dá a maior repercussão, aquele que causa mais choque nas pessoas mas nem por isso faz com que elas tenham um posicionamento crítico de verdade, querem um resultado que convença mais, que vire notícia quente, que dê retorno mercadológico.

Estamos apenas no primeiro dia de julgamento, muita coisa acontecerá e muito mais conheceremos sobre o caso e a papel de cada acusado em todo o processo. Conversaremos mais nos próximos dias!
 












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